Minha relação com a arte não começou em um estúdio bem equipado, mas na necessidade de inventar o mundo ao meu redor. Antes de qualquer técnica formal, eu aprendi a observar. Crescer no Rio de Janeiro, nas ruas do Jacarezinho, me deu a maior lição que eu poderia ter: como fazer muito com quase nada. Essa base foi o meu verdadeiro laboratório. O design e a ilustração não foram apenas escolhas de carreira, mas as ferramentas que encontrei para traduzir o caos, documentar a minha realidade e, aos poucos, transformá-la.
Quando decidi cruzar o oceano e trazer meu trabalho para a Europa, não estava apenas mudando de endereço. Foi um salto de fé naquilo que eu construí com as próprias mãos. Eu queria provar que a criatividade que nasce da rua, do improviso e da superação tem força suficiente para sentar em qualquer mesa, em qualquer lugar do mundo. Hoje, cada traço que eu faço carrega essa bagagem: um olhar atento, imperfeito e extremamente vivo.
A arte me ensinou que o extraordinário não mora nos recursos que você tem, mas no que você decide fazer com a falta deles.
Daniel M. Dias